As Figuras dos Indios e as Tabacarias

Postado por: Arthur Avedissian Categoria: Blog Comentários: 0

As Figuras dos Indios e as Tabacarias

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Sempre tive curiosidade sobre as estátuas de índios colocadas na frente e no interior de algumas tabacarias. Recentemente, em uma postagem em dos grupos de whatsapp sobre charutos que participo, um confrade também manifestou sua curiosidade o que me fez pesquisar um pouco sobre o tema. Na ocasião encontrei uma interessante matéria em um site que naquele momento encaminhei para o grupo em sua versão em inglês.

Porém achei que poderia dar uma contribuição maior à outros confrades que possam se interessar pelo assunto ou que simplesmente queiram conhecer um pouco mais sobre essa curiosa e interessante história, o que me levou a pesquisar um pouco mais e produzir o texto que com muita satisfação ofereço à vocês!

Sir Walter Raleigh

Para entender melhor, é importante termos como referência a colonização da América do Norte pelos ingleses que se iniciou no final do século XVI e se estendeu até meados do século XVIII e que resultou no que se chamou de As 13 Colônias Inglesas. Nesse processo colonos vindos da Inglaterra começaram a ocupar novas terras e a desenvolver cultivos de algumas espécies, entre elas o tabaco que já era utilizado e cultivado pelos nativos americanos para uso medicinal e religioso. Esse tabaco era levado em grande parte para a Inglaterra e ficou associado aos nativos, naquela ocasião referidos como índios uma vez que a descoberta do novo mundo incialmente era considerada como a descoberta da Índia. É atribuído à Sir Walter Raleigh o papel de principal responsável pela introdução do tabaco e seu uso na Inglaterra. Raleigh, um membro da aristocracia inglesa, se envolveu na colonização da colônia da Virgínia através de uma real patente, um documento real que conferia ao seu titular vários poderes, inclusive o de estabelecer colônias no Novo Mundo. Virgínia foi a primeira das 13 colônias inglesas, estabelecida em 1607.

A imagem do índio estava definitivamente associada ao tabaco e o uso de estátuas esculpidas em frente a locais que o comercializavam começou a se espalhar por Londres a partir da primeira década de 1600 na medida que o tabaco chegava ao país vindo das colônias americanas. Ficou assim estabelecida a conexão do produto com a figura do índio representado por estátuas que até hoje são encontradas em algumas lojas. Importante destacar que nessa época a maioria da população não sabia ler o que obrigava alguns comércios da cidade a usarem símbolos que identificavam sua atividade para atrair compradores. Um outro exemplo dessa situação na época é a barra colorida, que até hoje, é usada para identificar as barbearias.

Estatua de Samuel Robb

Por volta de 1650 o tabaco já era muito popular na Inglaterra. Nas colônias americanas seu uso também se disseminou entre os colonos e lentamente os povoados e seu comércio também se estabeleceram. No início o pequeno tamanho desses povoados permitia que as pessoas soubessem facilmente onde encontrar o que desejavam. Mas por volta de 1850 algumas cidades cresceram e ainda a maioria das pessoas não sabia ler. Assim as estátuas de índios foram ganhando seu espaço nas ruas da américa para também identificar os locais onde o tabaco era vendido. Curioso também saber que em alguns locais essas figuras foram ganhando personalidade, atribuída pelos moradores. Em Reading, na Pennsylvania, o índio da loja local de tabaco ficou conhecido como o Olho da Velha Águia. Chefe Falcão Negro que carregava uma clava e uma pele de leão morava nas ruas de Louisville, no Kentucky. Chefe Semloh surgiu em 1849 em São Francisco e permaneceu nas ruas até o grande terremoto de 1906 que ocorreu naquela cidade.

No trabalho artesanal ligado as estátuas indígenas durante o século dezenove, dois nomes são reconhecidos e se destacam por seu talento e especialização. O primeiro foi Julius Melchers, um escultor alemão que imigrou para a américa em 1848 indo morar na cidade de Detroit e se estabeleceu como entalhador. Melchers esculpia outras peças além dos índios e no final dos anos 1860 foi contratado pela administração da cidade para esculpir uma importante estátua homenageando 4 pioneiros franceses da cidade de Detroit. O segundo foi Samuel Robb que era de origem escocesa cuja família trabalhava com entalhe de embarcações. Robb cresceu no Brooklin e aprendeu o ofício de entalhe em embarcações. Apaixonado pela arte, se especializou estudando à noite em importantes escolas. Em 1876, então com 25 anos, abriu sua própria oficina e loja que veio a se tornar a maior desse segmento até o final do século. 

Estátua de Julius Melchers

Com o passar dos anos as cidades foram crescendo ainda mais e o público nas ruas também, criando em muitos locais falta de espaço nas calçadas para as estátuas conviverem com os passantes. Além disso as lojas de tabaco passaram a diversificar seus produtos expandindo seu comércio para outros tipos de mercadorias. Essa situação fez com que muitos lojistas retirassem suas estátuas de suas portas ou muitas vezes simplesmente as descartassem. Hoje poucas permanecem cumprindo sua importante missão. Muitas delas, as mais famosas e que possuem algum destaque histórico, se encontram em museus e muitas outras nas mãos de colecionadores e aficionados por tabaco. Algumas delas já alcançaram mais de US$ 100 mil me leilões !

Esperamos que elas continuem por aí como guardiãs dessa histórica e deliciosa vivência de apreciar um bom tabaco e perpetuando sua origem e tradição !

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